• Ana Paula Psicóloga

Por que sentimos culpa?


Algumas pessoas dentro dos grupos do whatsapp ou até mesmo no espaço psicoterápico virtual e presencial têm me pedido para eu falar sobre a culpa. Por isso, decidi começar uma jornada para falar sobre o assunto. É indiscutível dizer que nenhum ser humano sentiu culpa, pois a culpa é um sentimento que influencia no comportamento das pessoas, e faz parte do contexto social do ser humano.


Quantas pessoas neste momento, em novembro de 2020, sentem-se culpadas por não terem realizados algo neste ano, culpadas porque não conseguiram controlar a raiva ou porque deixaram de tomar uma decisão? Quantos pais sentem-se culpados porque não conseguem passar mais tempo com seus filhos? Quantas pessoas sentem-se culpadas porque estão sobrecarregadas de tarefas e não conseguiram cumprir com prazos? Podemos ver que a culpa está presente em nossa convivência diária.


Por outro lado, há níveis de culpa que paralisam as pessoas na arte de viver. Por exemplo, quando provocam uma morte de forma indireta, abandonam seus filhos, são traídos ou ainda outras situações traumáticas, muitos não conseguem lidar com a dor e se sentem incapazes de seguir em frente, inclusive causando sintomas depressivos. Você conhece alguém nessa situação?

Levando-se em conta o desenrolar deste tema, é importante contextualizar o que é culpa. Segundo o dicionário Dicionário, culpa é” “sentimento doloroso de quem se arrependeu de suas ações”, “estou sofrendo porque tenho culpa”, entre outros significados.


Porém, de maneira geral, percebemos que todas as pessoas que já passaram pela fase da culpa, sentem-se sim arrependidas por algo que não fizeram.


Pode-se afirmar não conseguir ressignificar culpa desencadeia pensamento realizar, a apatia, o isolamento, além de deixar as pessoas os negativos, aumenta o medo do mais vulneráveis, inseguras, com baixa autoestima, alterações de humor, inclusive com aumento da ansiedade, pânico e de sintomas depressivos.


As pessoas aprisionadas pelo sentimento de culpa: vivenciam também crises de raiva, perdem o foco de viver, criticam constantemente os outros e o meio, e acabam deixando de executar seus sonhos, ou seja, perdem o amor à vida e afastam as pessoas.


Por que sentimos tanta culpa?


É interessante pensar que a culpa tem duas facetas, a falsa e verdadeira. Como? Vou explicar. A culpa verdadeira refere-se à consequência de uma ação /erro cometido ou um dano que gerou desconforto a alguém. Por exemplo, me sinto culpado devido a tal coisa...

Entretanto, a culpa falsa ocorre quando já resolvemos uma situação, no entanto ainda ficamos nos autocondenando diante da situação nos esgotando tanto emocional quanto fisicamente.


Por mais difícil que seja, precisamos olhar para as expectativas pouco reais que fazemos da vida pessoal, das nossas relações e com o nosso meio social, pois há momentos em que fazemos tantas expectativas que algumas delas podem ser irreais.


Por exemplo, quando achamos que ninguém irá ofender, exigimos demais de nós mesmos e dos outros, temos que ser sempre o ou a melhor, não nos permitindo errar etc.


É de grande importância notar quando ofendemos as pessoas mais próximas a nós, a começar por nós mesmo com as autocobranças, e também os entes queridos mais próximos e que amamos tanto, que geralmente agredimos sem perceber. Por exemplo, os pais, nervosos diante de uma pergunta. do filho, podem gritar, falar palavras torpes machucá-los.


Ao observar o cenário deste ano com a Pandemia de Covid-19, através da vivência com processo psicoterápico e plantões em grupo de WhatsApp, percebo que a culpa está aumentando e em outras áreas, como a culpa por não saber administrar as finanças, a culpa, por não saber lidar com os filhos, etc. Portanto, este é o momento de revermos nossas atitudes para amenizar os ciclos de culpa, já que eles também contribuem para a autossabotagem e a manipulação do outro (vitimismo).


Segundo, Thalmam 2018, precisamos conhecer o retrato dos culpabilizados. Para isso, você pode observar alguns sinais:

· Reclama com frequência,

· Nunca se culpa quando as coisas dão errado,

· Faz com que você acredite que a culpa é sua quando nada está bem,

· Te manipula,

· Te acusa de forma sutil,

· Você sente culpado na presença dele.


Quando você está diante de alguém que vive te culpando é importante identificar quais são os seus disparadores (também conhecidos como gatilhos mentais) que causam desconfortos em você. Por exemplo: ao se comprometer com mais ações do que a sua capacidade, se preocupar com problemas dos outros além dos seus, comer demais, sedentarismo, etc.


Vale ressaltar ainda, que para algumas pessoas, a culpa pode representar também a negação de resolver o problema.


Olhar para dentro de si é uma viagem de introspecção e liberdade, porque não podemos mudar o passado, porém o presente poderá modificar o nosso futuro e assim podemos ressignificar a dor do passado sem que gere mais dor no momento atual.

Exercícios para reflexão da culpa


Acredito que seja importante é destacar também o ciclo da culpa.

Eis como eu, Ana Paula Purcino Pellenz, o percebo:


1. Uma situação que gera desconforto.

2. Reação verbal ou não

3. O desencadear o sentimento de culpa.

4. Pensamentos acelerados ou negativos

5. Aumento do nível do hormônio de cortisol.

6. Reações físicas e emocionais, como aumento da irritabilidade, aumento da pressão arterial, dores etc.

7. Não resolver a situação aumenta ainda mais pensamentos negativos e irritabilidade.

8. Desconforto da frustração diante do ocorrido ou por não saber resolver.

9. Reações negativas comportamentais como: isolamento, estagnação em alguma área da vida, descrença em si ou nas pessoas.

10. Aumento da dor emocional que pode contribuir com o aumento da ansiedade, sintomas de pânico e depressivos.


Autoanálise: observando as áreas da minha vida


Analise a lista acima e se pergunte se algum destes ciclos afetam a sua vida.


Outra sugestão dê é dar uma nota para sua vida de 1 a 10 sendo 10 satisfeito(a). Em seguintes áreas:

· Saúde emocional

· Saúde física

· Autocompaixão

· Desenvolvimento de talentos e aptidões

· Relacionamento Interpessoal

· Profissional

· Afetiva

· Escolar

· Cultural

· Tempo de qualidade consigo mesma.

· Financeira

· Vínculos afetivos familiares


Com base na autoavaliação das áreas da sua vida, identifique quais são as situações e sentimentos que geram culpa em você neste momento. Em seguida, escreva-os em um papel. Depois de terminar a lista, siga escrevendo, mas dessa vez decido a se liberar da culpa, e ressignificar sua vida diante dessas situações. Ao concluir, rasgue a folha.


Aprendendo a lidar com a culpa


Apesar de parecer boba, essa pequena atitude que pode contribuir para o seu autoconhecimento e influenciar o seu bem-estar.


Algumas das atitudes que auxiliam no processo de aprender a lidar com a culpa, são: reconhecer o erro e também trabalhar a comunicação assertiva.


Essas atitudes fazem com que as pessoas desenvolvam habilidades e /competências e possibilitam o fortalecimento de vínculos afetivos.


Portanto, precisamos romper paradigmas e buscar novas ações para reaprender a lidar com o sentimento culpa. Lembrem-se que uma mudança exige uma atitude, a qual gerará uma nova ação, um novo hábito.

Algumas dicas para aprender a lidar com a culpa:


1. Permita-se cuidar de suas emoções.

2. Aprenda a desenvolver o autoconhecimento e a inteligência emocional no seu dia a dia.

3. Faça o exercício de autorreflexão abaixo,

· Identifique os sentimentos que a situação desperta em você.

· Identifique os pensamentos que gera em você.

· Identifique as possibilidades de soluções.

· Decida qual atitude que irá executar.

· Pratique a comunicação assertiva: identifique os pontos positivos, expresse o problema e termine com as possiblidades de soluções.

· Diminua a autocobrança.

· Permita-se viver com equilíbrio.


Enfim, busque quebrar paradigmas e olhe para dentro de si. Isso potencializará o bem-estar e te ajudará a desfrutar da arte do viver em equilíbrio e com fortalecimento de vínculos. Acredite, pois somos diamantes sendo lapidados a cada dia.


Abraços,

Ana Paula Purcino Pellenz

CRP 8/15629